terça-feira, 1 de junho de 2010

Coral de Árvore com livros, para o filme Mudernage, de Marcela Borela

A diretora Marcela Borela me convidou para fazer uma intervenção em seu filme Mudernage, um documentário sobre o Modernismo em Goiás patrocinado pelo DOCTV. Elaborei uma cena em que Marcela está estudando à sombra de um Coral de Árvore com livros e catálogos de artistas goianos, peça construída com lã com cores semelhantes à da roupa que a personagem veste. O documentário é veiculado em rede nacional desde fevereiro de 2010.

Nessa árvore acrescentei os livros: Arte no Centro-Oeste de Aline Figueiredo, O Expressionismo em Siron Franco e Bernardo Élis de Emílio Vieira, Frei Nazareno Confaloni de PX da Silveira; e também catálogos sobre Gustav Ritter, Cléber Gouvêa e Antônio Poteiro.

Numa manhã bastante ensolarada este trabalho foi instalado no morro do Mendanha, ponto mais alto de Goiânia, situado na região oeste, local das grandes antenas de rádio e TV.

Coral de Árvores em Jataí/GO

A intervenção sobre o conjunto de árvores da Praça da Matriz. Jataí.

Como um coral o trabalho aconteceu de forma coletiva.

As cores começaram a tomar a forma dos troncos de jasmim-manga.

As crianças se envolveram no processo lúdico de confecção da intervenção.

Clara Lima, Diretora do Museu de Arte Contemporânea, fotografou toda a oficina.

Amanheceu muito frio, mas depois o sol abriu. Dia Internacional dos Museus, 18 de maio de 2010. Logo cedo, com o tempo ainda cheio de névoa, fui para a Praça da Matriz de Jataí e começei a trabalhar antes que chegasse a primeira turma de crianças que trabalhou comigo na realização da obra.

O motivo maior que me levou à Jataí foi, mais uma vez, integrar a Comissão de Seleção e Premiação do 9º Salão Nacional de Arte de Jataí, que foi inaugurado no dia 19 de maio de 2010. Aproveitei o momento para fazer essa obra em colaboração com as crianças da cidade.

Coral de Árvores em Ceres/GO.

A convite do curador Agnaldo Coelho desenvolvi na cidade de Ceres, interior de Goiás, uma oficina com aspectos teóricos e práticos. Patrocinado pela Funarte o projeto tem por objetivo levar artistas contemporâneos para contextos carentes de informação sobre arte contemporânea.

A oficina de criação do Coral de Árvores aconteceu durante uma tarde de muito calor, no início do mês de março, e envolveu cerca de dez professoras do ensino de arte no município.É muito bom poder contribuir repassando conhecimento e experiência.

A intervenção ocorreu no pátio da Secretaria de Educação e tomou como suporte as árvores do local.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Yuri Firmeza escreve sobre Recordações de uma paisagem não vista



Das lembranças ou daquilo que, Recordações de uma paisagem não vista, ativou .
Começo pelo O Poeta e as pedras:
A pedra rola Baudelaire, Borges, Drummond, Pessoa, Rilke, Pignatari, Blake...
Divino Sobral arremessa. Caetano em Livros diz para arremessarmos para fora das janelas. Ainda ele, na mesma música, “os livros que em nossa vida entraram são como uma radiação de um corpo negro apontando para expansão do Universo”.
Sobral carrega livros que se assemelham a tijolos. Carrega livros que se assemelham a sementes. Carrega livros que se assemelha e distancia-se da terra dos homens-livro em Fahrenheit 451. Carrega livro em meio a plantas e terra árida, solo rachado, roupa encarnada. Livros-frutos, livros-sementes, livros-gritos lidos fragmentos ao vento. Pedra assoprada. Baladeira de palavras edificantes. Estraçalhantes.
Bordados:
Tempo incrustado. Tempo enferrujado.
Pode um bordado ter a força de inventar um sonho?
Costurar a história de um lugar, um mapa onírico, incertezas corroídas pela memória.
O tempo. A latitude. O imaginário. O inventário. A cartografia. Os cardeais.
O lugar. O bordado. O pigmento ferrugem. O couro. O fogo. A lentidão.
Poema:
As palavras. O sussurro.
Machado:
“Para rachar as palavras”.

Yuri Firmeza
12 de janeiro de 2010

Escrito em um bloco de notas enquanto conversei com a exposição de Divino Sobral no CCBNB, Fortaleza, Ceará. Essa nota de rodapé não é uma justificativa, mas uma contextualização do modo como esse texto tomou corpo.